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Modelagem analítica na indústria de papel e celulose: do plantio à exportação

O Brasil é líder do ranking de produtividade florestal, com média de produção por hectare quase duas vezes maior do que países do hemisfério norte, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ). Esta posição é decorrente de amplos investimentos no setor, avanços em Pesquisa e Desenvolvimento e adoção de inovações, que potencializam o desempenho das florestas. Inclusive, dados da IBÁ apontam que a produção de celulose cresceu 12,42% entre os anos de 2015 e 2017 sem ampliar a área plantada, uma otimização decorrente das boas práticas de manejo, melhoramento genético e utilização de novas tecnologias, entre as quais, a modelagem analítica.

A melhoria contínua na indústria de papel e celulose está diretamente relacionada à excelência operacional, que permeia todo o processo produtivo: do planejamento de plantação e colheita de eucaliptos até a logística marítima de distribuição global. Contar com um sistema de modelagem analítica é cada vez mais essencial para conduzir cada uma das etapas deste processo com precisão e eficiência. Quer saber como? Continue a leitura que vamos explicar.

Planejamento e produção

Qualquer iniciativa relacionada à indústria de papel e celulose começa com o planejamento de plantação e colheita dos eucaliptos para produção. E mapear todo o processo sem o auxílio de um sistema inteligente de modelagem é um desafio enorme, uma vez que são inúmeras as variáveis a serem consideradas. A começar pelo tempo: uma fábrica de papel e celulose precisa olhar para pelo menos cinco anos no futuro (podendo chegar até 10 anos) – o prazo necessário do plantio à colheita do eucalipto. Veja como a UniSoma sistematizou todo o ferramental de planejamento florestal de longo prazo da Votorantim Celulose e Papel (VCP).

Feita essa previsão, é necessário:

  • avaliar qual o melhor tipo de eucalipto e técnica de plantio, considerando o sequenciamento necessário da celulose para os diferentes tipos de papel;
  • definir como será o tratamento e nutrição da terra;
  • mapear as áreas e lotes adequados para cada uma das necessidades.

Outro ponto importante envolve o planejamento de decisões referentes à Certificação FSC (Conselho de Manejo Florestal), que regulamenta e estabelece diretrizes para a produção responsável de produtos florestais, como áreas de reflorestamento e melhores práticas.

A partir daí, parte-se para a colheita, que demandará acompanhamento constante. Afinal, apesar do planejamento inicial de longo prazo, é preciso adequar constantemente as demandas da fábrica por determinada celulose ao lote ideal disponível para a colheita naquele momento.

Distribuição

Como extrair maiores ganhos logísticos e, ao mesmo tempo, cumprir o atendimento da demanda com o menor custo possível? Este é um questionamento que impacta diretamente o resultado da empresa e que requer uma resposta assertiva. Um sistema de modelagem analítica aplicado à logística outbound, por exemplo, é capaz de reunir, cruzar e simular inúmeras variáveis e situações a fim de entregar o melhor cenário para a tomada de decisões.

Isso porque, o processo outbound inclui as etapas posteriores à entrada do material na fábrica, ou seja, produção, embalagem e, principalmente, a entrega ou a saída, efetivamente, dos materiais para portos e clientes finais. Algumas das variáveis nesta fase são: a definição entre o que será destinado para o mercado interno e para o mercado externo – afinal, cada modalidade exige uma decisão de rota, armador, modalidade (Container ou BreakBulk), carga, contrato, tempo de percurso e custos. Além de planejamento de rotas, monitoramento e rastreamento das entregas, e controle de ocorrências no transporte.

Outbound Marítimo

A maior parte da produção de papel e celulose brasileira é destinada ao mercado internacional, ou seja, requer uma logística de outbound marítimo. As variáveis neste tipo de logística são proporcionais aos custos associados a esta atividade, portanto, toda atenção é pouca.

Imagine a seguinte situação: você planejou para carregar o navio em um certo dia, reservou a baia, coordenou desde a produção de um lote específico do produto até o transporte rodoviário para que tudo estivesse pronto, no lugar certo, na hora certa. No entanto, na hora do navio atracar, ocorre um imprevisto e, com isso, seu estoque ficará parado por mais tempo do que o previsto. Ou, ainda, todo o processo de atracamento ocorre conforme o planejado, mas sua mercadoria, que precisaria estar pronta para ser carregada, não chega em tempo por conta de um acidente na estrada.

Como remediar para que os impactos sejam os menores possíveis à sua operação? Qual a melhor decisão a ser tomada em cada um dos casos? Será que vale a pena mudar o tipo de mercadoria a ser carregada e aproveitar o custo de lay days (como é chamado o período de carregamento do navio) ou pagar o custo de demurrage (multa paga para a sobrestadia do BreakBulk)? São muitos questionamentos que dependem de uma série de análises para serem respondidos com mais assertividade.

Paralelamente, a contratação de um navio envolve uma série de decisões complexas, como a definição da rota e em quais terminais vai parar ao longo do percurso e o melhor mix de montagem de carga de acordo com o destino.

Com uma solução de modelagem matemática analítica, a tomada de decisões fica muito mais fácil e embasada, uma vez que a própria ferramenta é capaz de criar as melhores rotas para o navio, de acordo com custo, demandas e tempo. Ela consegue olhar para a demanda final e fazer o caminho de traz para a frente. Determinando desde as necessidades de produção na fábrica; passando pelo mix ótimo de produtos para cada navio; as diferentes necessidades nos pontos de estoque ao longo da cadeia, além de onde e quando avançar este estoque; e qual o estoque de segurança no terminal. Tudo isso para obter o melhor resultado operacional e financeiro junto ao cliente e atender aos diferentes pedidos simultaneamente.

Benefícios da modelagem analítica

Entre os benefícios de adoção de uma ferramenta de modelagem analítica, estão:

  • Análise holística do processo, com mais agilidade na tomada de decisão;
  • Possibilidade de planejamento prévio e revisão, em tempo real, caso necessário;
  • Rápida resolução de problemas;
  • Antecipação, agilidade e melhor negociação de contrato com armadores;
  • Gestão integrada: produção, distribuição, estoque e atendimento da demanda;
  • Redução de custos e melhores margens;
  • Planejamento anual de acordo com variáveis de mercado, demanda, portos e navios.

Precisa otimizar a sua produção e melhorar os processos de distribuição e logística outbound? A UniSoma pode te ajudar a alcançar resultados superiores. Entre em contato e conheça todo o potencial de transformação que nossas soluções oferecem ao seu negócio.

Julio Pitombo Rego

Graduado em Matemática Aplicada e Computacional com ênfase em Pesquisa Operacional na UNICAMP. Atua como ponto focal na manutenção de projetos da UniSoma desde março de 2015.