Descrição do Negócio
A cadeia de aves é a mais extensa, englobando os ciclos de postura das matrizes, os processos de incubação e eclosão dos ovos, o alojamento de pintos e o abate dos lotes de frangos. Planejar o sincronismo desta cadeia consiste em conciliar ciclos com durações discrepantes: enquanto o ciclo de postura de um lote de matrizes tem abrangência anual, o processo de incubação-eclosão tem duração de 3 semanas, e o tempo médio de alojamento-abate gira em torno de um mês e meio. O efeito não-uniforme da sazonalidade sobre índices de postura, eclodibilidade e ganho de peso, e sobre a própria demanda de abates, fazem com que o gerenciamento do estoque de ovos incubáveis e o suprimento adequado de pintos de um dia se torne não-trivial. Além disso, há a exigência de que os lotes programados para abate atendam a uma distribuição compatível com as faixas de peso necessárias para os produtos – em particular para aqueles da carteira de exportação, cuja gramatura está sujeita a limites bastante estreitos.

Na cadeia de suínos, o ciclo de criação é de responsabilidade de terceiros, e o controle sobre os pesos recebidos para abate não é feito lote-a-lote. Neste caso, a programação de produção dos itens in natura e industrializados é realizada com uma previsão de oferta de peso, e a utilização do grande número de partes advindas dos cortes é otimizada considerando seu rendimento em função do peso e das capacidades e eficiências de cada um dos processos das plantas.
Na cadeia de lácteos, o foco é propiciar o melhor plano de produção de derivados de leite, considerando a disponibilidade de leite cru. O grande impacto da qualidade do leite (quantidade de matéria seca, principalmente) sobre o processo de industrialização, sua perecibilidade e, portanto, as variações de disponibilidade devido a fatores naturais, são aspectos importantes da otimização desta cadeia.
Como os custos de ração respondem por uma parcela considerável dos custos totais de produção, a geração das formulações ideais para as rações, observando os níveis de estoque dos ingredientes e as necessidades nutricionais, tem um papel importante na maximização global da margem operacional.
O Desafio
Em meados de 2006, a Aurora Alimentos convocou a UniSoma a prover uma solução capaz de integrar as diversas instâncias de planejamento, através de um ambiente comum de diálogo entre os planejadores, com o objetivo principal de organizar decisões de longo e curto prazo e maximizar o resultado global.
Para tanto, era necessário articular estas decisões no sentido mercado-plantas-campo, e trabalhar com as variações de demanda e comportamento de campo no curto prazo, de forma a não comprometer as condições de operação futuras, bem como garantir o acompanhamento das metas de atendimento numa visão tático-estratégica.
A implantação foi realizada em um ano e meio, durante os quais os diversos módulos da arquitetura, muitos deles componentes de uma solução que fora inicialmente implementada para a Sadia na década de 90, foram redesenhados de forma customizada e totalmente recodificados nas plataformas atuais.
A Solução
Os modelos matemáticos são alimentados por modelos estatísticos que, com base em dados de campo, geram previsões utilizadas na otimização dos planos. Para a cadeia de aves, foi ajustado um conjunto de modelos para previsão das taxas de postura e eclosão de ovos incubáveis dos lotes de matrizes. O mesmo foi feito para peso, consumo de ração (também disponível para a programação de formulação de rações) e mortalidade dos lotes de aves, variando em função de fatores como linhagem, sexo e sazonalidade. Os rendimentos das partes derivadas dos cortes de aves e suínos também são determinados por modelos de previsão em função do peso médio abatido, os quais expressam os resultados de extensivos testes realizados em todos os processos de cada uma das plantas.
O planejamento da cadeia de frangos é dirigido pelo módulo STALA/F, que sincroniza as atividades de incubação de ovos, alojamento de pintos e abate dos lotes, utilizando mecanismos de compra de ovos incubáveis e pintos para garantir um atendimento constante da demanda dos frigoríficos, mesmo em face das diversas variações que ocorrem ao longo do tempo. Os módulos de planejamento INCUBA/F, ALOJA/F e ABATE/F, respectivamente, atendem a cada uma das instâncias envolvidas – incubatórios, fomentos e frigoríficos – de modo a propiciar a melhor operacionalização possível do plano tático, dadas as condições imediatas.
A demanda de aves e suínos é coordenada pelos módulos de planejamento de produção PMP e PLASEMA, que, baseados em uma detalhada descrição dos processos de corte e industrialização das partes fornecida pelo módulo BIBPRO (Biblioteca de Produtos e Processos), otimizam planos de produção e transferência de produtos entre as plantas e geram a melhor política de estoque capaz de garantir o atendimento dos mercados.O modelo DYFOR para formulação de rações atende à necessidade decorrente dos níveis resultantes de atividade em campo com o menor custo possível, provendo as necessidades nutricionais especificadas para cada um dos tipos de ração, e apontando oportunidades de compra de ingredientes a partir de curvas de preço e capacidades de estocagem. O módulo auxiliar DYFORWEB recebe os ajustes na programação de produção e os apontamentos de produção das rações.
O atendimento otimizado da cadeia de lácteos é feita pelo módulo PLANLEITE, que considera restrições de transporte e de fornecedores, os processos das unidades produtoras, condicionantes de transferência de produtos entre plantas, a maturação e o shelf life de cada produto, bem como as possibilidades de distribuição e atendimento da demanda.
A resolução destes modelos é coordenada pelo URSO (UniSoma Remote System for Optimization), que faz o papel de centralizar e organizar em uma fila todas as requisições de otimização, permitindo seu controle e evitando os custos que uma arquitetura pulverizada traria. Esta racionalização dos recursos computacionais propicia a todos os planejadores os benefícios de um servidor de alta performance, dimensionado especificamente para esta tarefa, liberando suas estações para outras atividades enquanto o processamento é realizado no servidor.
A integração dos módulos é feita pelo GIBI (Gerenciador Integrado de Base de Informação), o banco de dados corporativo da solução, implementado em Oracle e integrado à base de informação centralizada da empresa. O GIBI disponibiliza através de views as informações de campo e das plantas necessárias para a otimização, e permite a conciliação dos planos em seus diversos horizontes de tempo. O módulo de apoio VISUALIZADOR oferece acompanhamento gerencial da realização destes planos e de seus resultados através de gráficos e relatórios.
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